Olá!
Sete meses se passaram desde a última vez que estive por aqui, e muitas coisas aconteceram... Mas cá estou para continuar a dividir com vocês todas as boas histórias que rolaram durante essa ausência.
E uma delas é justamente retomar uma série de matérias que começamos e paramos no meio do caminho: a nossa viagem pela História da Dança. Como a última postagem sobre o assunto foi escrita em maio de 2012, primeiramente iremos retomar os tópicos que já abordamos para só então seguirmos adiante... Nós já passamos por:
- Os Primórdios: Itália e França
- O Ballet Romântico
- O Ballet Clássico, Parte I
- O Ballet Clássico, Parte II
Do início até o ponto em que paramos, foram mais ou menos 500 anos de evolução dessa arte chamada Ballet, que começou na Itália, passou por França e Rússia, e enfim se espalhou pelo resto do mundo! A nossa próxima parada será na Europa do início do século XX, onde em 1909 surgiu uma companhia que revolucionou o modo de dançar: o Ballets Russes de Sergei Diaghilev. Mas isso é assunto para outro dia...
Que tenhamos um 2015 abençoado, e com certeza, com muita dança neste palco de palavras!!!
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
domingo, 11 de novembro de 2012
Noite de Gala 2012 - A Borralheira
Depois do nosso passeio pela história das Noites de Gala do Studio Dança Tamara Lisa, eis que enfim chegamos ao tema do espetáculo desse ano! Ao contrário de 2011, para esse ano nós optamos por escolher apenas um tema, que como todos já sabem contará a história de Cinderella.
Com certeza esse é o conto de fadas mais popular de todos os tempos!!! Uma história universal que ganhou diversas adaptações, e que certamente muitos já viram/escutaram pelo menos alguma vez na vida. Mas diante desse fato surge um questionamento: Se todos conhecem a história de Cinderella, pra que então conhecer a história que é contada no ballet? Quando comentei com alguns alunos sobre a possibilidade de dar uma palestra no Studio sobre essa peça, a primeira pergunta que me fizeram foi exatamente essa!!! Mas posso garantir que tenho uma boa resposta para essa indagação...
Porque Conhecer a História Contada no Repertório?
Histórias infantis, como Cinderella, Branca de Neve e A Bela Adormecida, vem de períodos muito antigos, de uma época onde esses contos eram passados de uma geração a outra de forma oral: quando o pai passa para o filho, que passa para o neto, que passa para o bisneto... Só que durante esse processo geralmente acaba acontecendo uma coisa que eu costumo chamar de "efeito telefone sem fio". Assim como na brincadeira que leva esse nome, essas histórias começam sendo contadas de uma maneira e as mesmas acabam sofrendo modificações no decorrer do caminho. Talvez por isso existam tantas leituras diferentes... Só pra vocês terem ideia, a versão mais antiga de Cinderella vem da China Imperial, datada do ano de 860 a.C.! E como todos sabem, as adaptações não pararam por aí... Os livros de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm, os muitos filmes produzidos como Para Sempre Cinderella (versão épica com Drew Barrymore) e A Nova Cinderella (versão atualizada da história com Hilary Duff), a versão produzida para o seriado de TV Contos de Fada (exibido pela TV Cultura, costuma ser reprisada de tempos em tempos), e claro, a animação de Walt Disney, que certamente é adaptação a mais lembrada pela grande maioria...
Aliás Disney acabou se tornando um referencial no quesito "Contos de Fada", tanto que quando se fala em um ballet baseado em histórias infantis tem-se a crença que existe alguma ligação entre os dois.
No caso de "A Bela Adormecida" existe sim uma ligação com o ballet: a música!!! Walt Disney foi um verdadeiro gênio ao conseguir transportar a música de Tchaikovsky para o desenho, fazendo um belo resumo da obra.
Mas e Cinderella? Ao contrário do que muitos acreditam, não existe nenhuma ligação entre a versão animada o ballet, nem musical e nem na história. Ambas versões seguem por caminhos bem diferentes...
Voltando a nossa questão inicial, vocês já conseguem entender o porque de conhecer a história de Cinderella que é contada no ballet??? Assim como nas mídias populares (cinema e TV), o meio clássico também encontrou sua própria maneira de contar histórias como essa, incluindo detalhes que não estamos acostumados a ouvir nas versões tradicionais. Por isso apesar de ser um conto de fadas super conhecido, cada adaptação pode nos reservar grandes surpresas!!!
Origens Históricas
Não pensem vocês que surgiu logo de cara uma montagem de Cinderella que fizesse sucesso... Foram várias as tentativas! Segundo minhas pesquisa, uma das versões mais antiga data do ano de 1822, coreografada por Fernando Sor. Mais tarde, em 1871, Julius Reisinger, o mesmo responsável pela primeira produção de "O Lago dos Cisnes", criou uma versão em 5 atos para Cinderella. Dizem que Tchaikovsky teria começado a compor para esta montagem, porém essa informação nunca foi confirmada. O verdadeiro responsável pela música da obra foi um compositor alemão chamado Wilhelm Carl Mühldorfer. A produção de Reisinger não deu certo, assim como outros trabalhos que veio a realizar posteriormente. Em 1893, Marius Petipa em parceria com os coreógrafos Enrico Cecchetti e Lev Ivanov criaram uma nova versão de Cinderella em 3 atos (como nos moldes atuais), com partitura do barão Boris Fitinhoff-Schell. Apesar de ter criado várias peças de sucesso, a Cinderella de Petipa acabou indo na contra-mão e logo caiu no esquecimento...
No ano de 1901, início do século XX, Johann Strauss compôs uma nova versão para Cinderella, também em 3 atos, e ela foi utilizada em várias montagens diferentes pela Europa. Essa partitura sobrevive até os dias de hoje, e ainda é usada em algumas versões como a do Ballet Nacional de Cuba, com coreografia de Alícia Alonso, e do ballet da Ópera de Viena, com coreografia de Renato Zanella.
Mas a partitura que veio mesmo pra ficar e finalmente consagrar Cinderella como Ballet veio do estilo peculiar de Sergei Prokofiev, que aliada a produção idealizada pelo coreógrafo Rostislav Zakharov fizeram dessa versão, lançada em 1945 no Teatro Bolshoi de Moscou, um verdadeiro sucesso! Tamanha fama fez com que a obra rodasse o mundo e chegasse na mão de diversos coreógrafos, que ficaram encantados com a beleza da música, e sentiram a vontade de criar suas próprias versões. Foi assim que surgiram as diversas leituras que conhecemos hoje:
- Frederick Ashton, criada em 1964 para o Royal Ballet
- Rudolf Nureyev, criada em 1986 para a Ópera de Paris. Ele mudou completamente a ambientação da história, trazendo para o início da década de 1930 nos Estados Unidos. Cinderella aqui é retratada como uma aspirante a atriz de cinema, o príncipe como um galã de Hollywood, a fada madrinha é um mágico produtor de cinema e o baile em um grande teste para escolher a mocinha do próximo filme.
- Heinz Spoerli, criada em 2000. Produção oficial do Zurich Ballet.
- Alexei Ratmansky, criada em 2002. Produção oficial do Kirov Ballet/Mariinsky Ballet.
- David Bintley criada em 2010 para o Birmingham Royal Ballet.
Com essas e outras tantas montagens que foram aparecendo, a produção original de Zakharov acabou se perdendo com tempo. Os únicos registros que tem base nessa coreografia são os DVDs de 1960 e 1985, ambos com o Bolshoi. As duas montagens mencionadas tem revisão coreográfica de Konstantin Sergeyev.
O Nascimento da Borralheira: Remontando o Repertório
Como já foi dito na matéria anterior, remontar um repertório é sempre um grande desafio, e com Cinderella não seria diferente... A nossa maior base será clássica, com base na obra de Prokofiev. Mas em virtude termos escolhido apenas 1 tema, outras modalidades da escola também entrarão na dança, e por esse motivo achamos justo alterar o título para "A Borralheira".
O grande diferencial do ballet em relação aos contos tradicionais é que Cinderella ganha um ar cômico. Tanto a madrasta como as duas irmãs passam de bruxas da história para personagens muito espalhafatosas e que se acham perfeitas em tudo, quando na realidade é totalmente o oposto. Elas pensam tanto em si mesmas que o resto não importa... Já a protagonista tem a personalidade que todos já conhecem: ela é gentil, generosa, sonhadora, tem um enorme sentimento de gratidão e acima de tudo, ela crê nas boas ações sem esperar nada em troca. Coisa meio rara nos dias hoje...
E um detalhe muito interessante que ocorre logo no começo do primeiro ato nos mostra muito bem esse contraste de personalidades: a aparição de uma mendiga pedindo ajuda. Já dá pra imaginar o que vai acontecer... A madrasta nega na cara dura e as irmãs ficam caçoando da pobre senhora e a expulsam de sua casa. Somente Cinderella tem compaixão e oferece a ela um pedaço de pão. A senhora fica muito agradecida e retira.
Em seguida entra em cena um grupo de mercadores que traz diversos apetrechos para que as irmãs possam ir ao baile. Em nossa montagem, esses mercadores serão divididos em dois grupos: as estilistas (Clássico Livre I) e as cabeleireiras (Jazz Juvenil e Adulto). Logo depois, um professor de ballet tenta ensinar as irmãs a dançar... Vendo que elas não tem muito jeito pra coisa, a madrasta parte com as filhas para o baile assim mesmo, e deixam Cinderella para trás. Sozinha em casa, ela começa a imaginar como seria estar no palácio, dançando entre os convidados e se divertindo... e eis que no meio de seus devaneios surge novamente a velha mendiga, que lhe revela ser a sua fada madrinha. Por Cinderella ter demonstrado ser uma pessoa generosa, ela lhe dá um presente muito especial: um belo par de sapatos de cristal.
É nessa parte que entram em cena as Fiandeiras (Grades II, III e IV), que ajudam Cinderella a se preparar para o baile. E acompanhando a fada madrinha surgem as fadas das quatro estações ano, que também presenteiam Cinderella: As fadas da primavera lhe dão um buquê de flores, as fadas do verão, um vestido, as fadas do outono, uma capa, e as fadas do inverno, uma coroa e jóias diversas. Ela fica muito agradecida, mas a fada madrinha lhe dá o alerta: à meia-noite a magia termina e tudo voltará a ser o que era antes. O primeiro ato termina com ida de Cinderella para o baile com toda pompa em uma bela carruagem.
No segundo ato acontece o baile no palácio do príncipe, e nessa parte outro contraste de personalidades muito interessante nos é apresentado. Enquanto a madrasta e suas filhas querem chamar a atenção de todos, especialmente do príncipe, Cinderella vai ao baile sem nenhum tipo de "segundas intensões". Ao chegar, ela fica encantada com a beleza do lugar, como se tudo aquilo fosse um sonho, e então começa a dançar sem se preocupar com nada. O príncipe fica encantado com ela, mas não somente por sua beleza. Ele estava tão acostumado a ser bajulado o dia todo, que ver alguém com uma conduta tão diferente do que estava acostumado a presenciar chama a sua atenção. Ele procura por Cinderella a todo momento, e quando ficam a sós o príncipe declara o seu amor. Mas o quando o baile atinge o auge, eis que soa a meia-noite, dança que será representada pela turma do Contemporâneo. A jovem sai correndo a fim de que ninguém descobrisse sua verdadeira identidade, e na confusão acaba perdendo um de seus sapatos. O príncipe o encontra na escadaria e declara que quem conseguir calçá-lo será a sua noiva.
No terceiro e último ato, o príncipe parte a procura de sua amada, e primeiramente ele conversa com os sapateiros do reino, a fim de que algum deles pudesse lhe dar alguma pista sobre a jovem misteriosa por quem se apaixonara. Mas nenhum deles soube dar qualquer informação, afinal nunca haviam fabricado um sapato em tamanho tão pequeno e muito menos em um material tão frágil como o cristal. Decido a não desistir, ele visita diversas moças do reino, entre elas uma princesa espanhola e uma princesa oriental (geralmente chinesa ou indiana), mas sem sucesso.
Enquanto isso, Cinderella desperta na manhã seguinte se recordando de tudo o que vivera na noite anterior. Ela se perguntava se havia sido sonho ou realidade, mas ao perceber que um dos sapatos de cristal ficou com ela, Cinderella se ajoelha e agradece a fada madrinha por ter recebido tal presente. Ela esconde o sapato a fim de que ninguém descubra o seu segredo. Em seguida as irmãs entram em cena, e ficam contando vantagens para cima de Cinderella, dizendo que o baile foi maravilhoso e que foi uma pena ela não ter ido... enfim, aquela atitude típica de uma criança mimada: "eu fuuui, você não foooi".
A madrasta interrompe o falatório pra avisar as filhas sobre a chegada do príncipe. Elas se aprontam para recebê-lo e ficam ansiosas para experimentar o tão falado sapatinho de cristal, mas nem as irmãs e nem mesmo a madrasta conseguem calçá-lo. Quando estava prestes a ir embora, o príncipe vê Cinderella e pede pra que ela também experimente o sapato, que serve perfeitamente! Cinderella abraça as irmãs e a madrasta e parte com o príncipe rumo ao seu destino. A Fada Madrinha aparece acompanhada das floristas para abençoar o casal, e no fim, como em todo bom conto de fadas, eles vivem felizes para sempre!
Curiosos para ver como vai ficar a adaptação desse maravilhoso conto de fadas em nossa montagem? Então aguardamos vocês no dia 9 de dezembro, às 19:30 no Teatro Brigadeiro!
Grande abraço pessoal!!!!
Com certeza esse é o conto de fadas mais popular de todos os tempos!!! Uma história universal que ganhou diversas adaptações, e que certamente muitos já viram/escutaram pelo menos alguma vez na vida. Mas diante desse fato surge um questionamento: Se todos conhecem a história de Cinderella, pra que então conhecer a história que é contada no ballet? Quando comentei com alguns alunos sobre a possibilidade de dar uma palestra no Studio sobre essa peça, a primeira pergunta que me fizeram foi exatamente essa!!! Mas posso garantir que tenho uma boa resposta para essa indagação...
Porque Conhecer a História Contada no Repertório?
Histórias infantis, como Cinderella, Branca de Neve e A Bela Adormecida, vem de períodos muito antigos, de uma época onde esses contos eram passados de uma geração a outra de forma oral: quando o pai passa para o filho, que passa para o neto, que passa para o bisneto... Só que durante esse processo geralmente acaba acontecendo uma coisa que eu costumo chamar de "efeito telefone sem fio". Assim como na brincadeira que leva esse nome, essas histórias começam sendo contadas de uma maneira e as mesmas acabam sofrendo modificações no decorrer do caminho. Talvez por isso existam tantas leituras diferentes... Só pra vocês terem ideia, a versão mais antiga de Cinderella vem da China Imperial, datada do ano de 860 a.C.! E como todos sabem, as adaptações não pararam por aí... Os livros de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm, os muitos filmes produzidos como Para Sempre Cinderella (versão épica com Drew Barrymore) e A Nova Cinderella (versão atualizada da história com Hilary Duff), a versão produzida para o seriado de TV Contos de Fada (exibido pela TV Cultura, costuma ser reprisada de tempos em tempos), e claro, a animação de Walt Disney, que certamente é adaptação a mais lembrada pela grande maioria...
Aliás Disney acabou se tornando um referencial no quesito "Contos de Fada", tanto que quando se fala em um ballet baseado em histórias infantis tem-se a crença que existe alguma ligação entre os dois.
No caso de "A Bela Adormecida" existe sim uma ligação com o ballet: a música!!! Walt Disney foi um verdadeiro gênio ao conseguir transportar a música de Tchaikovsky para o desenho, fazendo um belo resumo da obra.
Mas e Cinderella? Ao contrário do que muitos acreditam, não existe nenhuma ligação entre a versão animada o ballet, nem musical e nem na história. Ambas versões seguem por caminhos bem diferentes...
Voltando a nossa questão inicial, vocês já conseguem entender o porque de conhecer a história de Cinderella que é contada no ballet??? Assim como nas mídias populares (cinema e TV), o meio clássico também encontrou sua própria maneira de contar histórias como essa, incluindo detalhes que não estamos acostumados a ouvir nas versões tradicionais. Por isso apesar de ser um conto de fadas super conhecido, cada adaptação pode nos reservar grandes surpresas!!!
Origens Históricas
Não pensem vocês que surgiu logo de cara uma montagem de Cinderella que fizesse sucesso... Foram várias as tentativas! Segundo minhas pesquisa, uma das versões mais antiga data do ano de 1822, coreografada por Fernando Sor. Mais tarde, em 1871, Julius Reisinger, o mesmo responsável pela primeira produção de "O Lago dos Cisnes", criou uma versão em 5 atos para Cinderella. Dizem que Tchaikovsky teria começado a compor para esta montagem, porém essa informação nunca foi confirmada. O verdadeiro responsável pela música da obra foi um compositor alemão chamado Wilhelm Carl Mühldorfer. A produção de Reisinger não deu certo, assim como outros trabalhos que veio a realizar posteriormente. Em 1893, Marius Petipa em parceria com os coreógrafos Enrico Cecchetti e Lev Ivanov criaram uma nova versão de Cinderella em 3 atos (como nos moldes atuais), com partitura do barão Boris Fitinhoff-Schell. Apesar de ter criado várias peças de sucesso, a Cinderella de Petipa acabou indo na contra-mão e logo caiu no esquecimento...
No ano de 1901, início do século XX, Johann Strauss compôs uma nova versão para Cinderella, também em 3 atos, e ela foi utilizada em várias montagens diferentes pela Europa. Essa partitura sobrevive até os dias de hoje, e ainda é usada em algumas versões como a do Ballet Nacional de Cuba, com coreografia de Alícia Alonso, e do ballet da Ópera de Viena, com coreografia de Renato Zanella.
Mas a partitura que veio mesmo pra ficar e finalmente consagrar Cinderella como Ballet veio do estilo peculiar de Sergei Prokofiev, que aliada a produção idealizada pelo coreógrafo Rostislav Zakharov fizeram dessa versão, lançada em 1945 no Teatro Bolshoi de Moscou, um verdadeiro sucesso! Tamanha fama fez com que a obra rodasse o mundo e chegasse na mão de diversos coreógrafos, que ficaram encantados com a beleza da música, e sentiram a vontade de criar suas próprias versões. Foi assim que surgiram as diversas leituras que conhecemos hoje:
- Frederick Ashton, criada em 1964 para o Royal Ballet
- Rudolf Nureyev, criada em 1986 para a Ópera de Paris. Ele mudou completamente a ambientação da história, trazendo para o início da década de 1930 nos Estados Unidos. Cinderella aqui é retratada como uma aspirante a atriz de cinema, o príncipe como um galã de Hollywood, a fada madrinha é um mágico produtor de cinema e o baile em um grande teste para escolher a mocinha do próximo filme.
- Heinz Spoerli, criada em 2000. Produção oficial do Zurich Ballet.
- Alexei Ratmansky, criada em 2002. Produção oficial do Kirov Ballet/Mariinsky Ballet.
- David Bintley criada em 2010 para o Birmingham Royal Ballet.
Com essas e outras tantas montagens que foram aparecendo, a produção original de Zakharov acabou se perdendo com tempo. Os únicos registros que tem base nessa coreografia são os DVDs de 1960 e 1985, ambos com o Bolshoi. As duas montagens mencionadas tem revisão coreográfica de Konstantin Sergeyev.
Cinderella - The Bolshoi Ballet, 1960
Com Raisa Struchkova e Genadi Lediakh
Como já foi dito na matéria anterior, remontar um repertório é sempre um grande desafio, e com Cinderella não seria diferente... A nossa maior base será clássica, com base na obra de Prokofiev. Mas em virtude termos escolhido apenas 1 tema, outras modalidades da escola também entrarão na dança, e por esse motivo achamos justo alterar o título para "A Borralheira".
O grande diferencial do ballet em relação aos contos tradicionais é que Cinderella ganha um ar cômico. Tanto a madrasta como as duas irmãs passam de bruxas da história para personagens muito espalhafatosas e que se acham perfeitas em tudo, quando na realidade é totalmente o oposto. Elas pensam tanto em si mesmas que o resto não importa... Já a protagonista tem a personalidade que todos já conhecem: ela é gentil, generosa, sonhadora, tem um enorme sentimento de gratidão e acima de tudo, ela crê nas boas ações sem esperar nada em troca. Coisa meio rara nos dias hoje...
E um detalhe muito interessante que ocorre logo no começo do primeiro ato nos mostra muito bem esse contraste de personalidades: a aparição de uma mendiga pedindo ajuda. Já dá pra imaginar o que vai acontecer... A madrasta nega na cara dura e as irmãs ficam caçoando da pobre senhora e a expulsam de sua casa. Somente Cinderella tem compaixão e oferece a ela um pedaço de pão. A senhora fica muito agradecida e retira.
Em seguida entra em cena um grupo de mercadores que traz diversos apetrechos para que as irmãs possam ir ao baile. Em nossa montagem, esses mercadores serão divididos em dois grupos: as estilistas (Clássico Livre I) e as cabeleireiras (Jazz Juvenil e Adulto). Logo depois, um professor de ballet tenta ensinar as irmãs a dançar... Vendo que elas não tem muito jeito pra coisa, a madrasta parte com as filhas para o baile assim mesmo, e deixam Cinderella para trás. Sozinha em casa, ela começa a imaginar como seria estar no palácio, dançando entre os convidados e se divertindo... e eis que no meio de seus devaneios surge novamente a velha mendiga, que lhe revela ser a sua fada madrinha. Por Cinderella ter demonstrado ser uma pessoa generosa, ela lhe dá um presente muito especial: um belo par de sapatos de cristal.
É nessa parte que entram em cena as Fiandeiras (Grades II, III e IV), que ajudam Cinderella a se preparar para o baile. E acompanhando a fada madrinha surgem as fadas das quatro estações ano, que também presenteiam Cinderella: As fadas da primavera lhe dão um buquê de flores, as fadas do verão, um vestido, as fadas do outono, uma capa, e as fadas do inverno, uma coroa e jóias diversas. Ela fica muito agradecida, mas a fada madrinha lhe dá o alerta: à meia-noite a magia termina e tudo voltará a ser o que era antes. O primeiro ato termina com ida de Cinderella para o baile com toda pompa em uma bela carruagem.
No segundo ato acontece o baile no palácio do príncipe, e nessa parte outro contraste de personalidades muito interessante nos é apresentado. Enquanto a madrasta e suas filhas querem chamar a atenção de todos, especialmente do príncipe, Cinderella vai ao baile sem nenhum tipo de "segundas intensões". Ao chegar, ela fica encantada com a beleza do lugar, como se tudo aquilo fosse um sonho, e então começa a dançar sem se preocupar com nada. O príncipe fica encantado com ela, mas não somente por sua beleza. Ele estava tão acostumado a ser bajulado o dia todo, que ver alguém com uma conduta tão diferente do que estava acostumado a presenciar chama a sua atenção. Ele procura por Cinderella a todo momento, e quando ficam a sós o príncipe declara o seu amor. Mas o quando o baile atinge o auge, eis que soa a meia-noite, dança que será representada pela turma do Contemporâneo. A jovem sai correndo a fim de que ninguém descobrisse sua verdadeira identidade, e na confusão acaba perdendo um de seus sapatos. O príncipe o encontra na escadaria e declara que quem conseguir calçá-lo será a sua noiva.
No terceiro e último ato, o príncipe parte a procura de sua amada, e primeiramente ele conversa com os sapateiros do reino, a fim de que algum deles pudesse lhe dar alguma pista sobre a jovem misteriosa por quem se apaixonara. Mas nenhum deles soube dar qualquer informação, afinal nunca haviam fabricado um sapato em tamanho tão pequeno e muito menos em um material tão frágil como o cristal. Decido a não desistir, ele visita diversas moças do reino, entre elas uma princesa espanhola e uma princesa oriental (geralmente chinesa ou indiana), mas sem sucesso.
Enquanto isso, Cinderella desperta na manhã seguinte se recordando de tudo o que vivera na noite anterior. Ela se perguntava se havia sido sonho ou realidade, mas ao perceber que um dos sapatos de cristal ficou com ela, Cinderella se ajoelha e agradece a fada madrinha por ter recebido tal presente. Ela esconde o sapato a fim de que ninguém descubra o seu segredo. Em seguida as irmãs entram em cena, e ficam contando vantagens para cima de Cinderella, dizendo que o baile foi maravilhoso e que foi uma pena ela não ter ido... enfim, aquela atitude típica de uma criança mimada: "eu fuuui, você não foooi".
A madrasta interrompe o falatório pra avisar as filhas sobre a chegada do príncipe. Elas se aprontam para recebê-lo e ficam ansiosas para experimentar o tão falado sapatinho de cristal, mas nem as irmãs e nem mesmo a madrasta conseguem calçá-lo. Quando estava prestes a ir embora, o príncipe vê Cinderella e pede pra que ela também experimente o sapato, que serve perfeitamente! Cinderella abraça as irmãs e a madrasta e parte com o príncipe rumo ao seu destino. A Fada Madrinha aparece acompanhada das floristas para abençoar o casal, e no fim, como em todo bom conto de fadas, eles vivem felizes para sempre!
Curiosos para ver como vai ficar a adaptação desse maravilhoso conto de fadas em nossa montagem? Então aguardamos vocês no dia 9 de dezembro, às 19:30 no Teatro Brigadeiro!
Grande abraço pessoal!!!!
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Ballet "O Corsário"
Oi pessoal, td bem?
A história foi baseada no poema "O Corsário" de Lord Byron, foi originalmente coreografada por Joseph Mazilier com partitura de Adolphe Adam (o mesmo compositor de "Giselle") e foi apresentada pela primeira vez ao público em janeiro de 1856 pelo ballet da Ópera de Paris.
As montagens mais atuais são derivadas da versão criada por Marius Petipa para o Ballet Imperial de St. Petersburg, e que incluem músicas de outros compositores: Leo Delibes (responsável pelas obras Coppélia e Sylvia), Cesare Pugni (responsável pelas obras Esmeralda e A Filha do Faraó), Riccardo Drigo (responsável pelo remanejamento da partitura de "O Lago dos Cisnes" para a montagem de Petipa/Ivanov) e Prince Oldenbourg. Atualmente apenas três grandes companhias tem essa peça em seu repertório: Kirov/Mariinsky, que é utilizada como base para diversas remontagens, American Ballet Theatre, que incorporou bem mais a música original de Adolphe Adam, e a nova montagem do Bolshoi.
A História:
O ballet é contado em 3 atos, com prólogo e epílogo, e começa em alto mar, onde o navio de Conrado, líder dos corsários, enfrenta uma tempestade. Apesar dos esforços de sua tripulação, o navio acaba encalhando na costa de uma ilha grega. Conrado e seus homens, Birbanto e o escravo Ali, são encontrados na praia por um grupo de jovens, lideradas por Medora e sua melhor amiga Gulnara. Eles contam sobre suas aventuras e como foram parar naquele lugar, e durante o relato, Medora e Conrado imediatamente se apaixonam. Elas são surpreendidas por Lankedem, um mercador de escravos que as captura e as leva para serem vendidas por altos preços. Os corsários ficam a espreita e seguem seus passos para tentar resgatá-las.
Enquanto isso no mercado de escravos, um rico Paxá de nome Seid está a procura de belas mulheres para seu harém. Lankedem lhe mostra todas as mulheres que capturou em suas viagens, mas nenhuma lhe interessa, até o momento em que Gulnara é apresentada. Lankedem e Gulnara dançam o famoso número conhecido como "A Escrava e o Mercador", muito encenado em apresentações de gala.
No segundo ato, Conrado e seus homens levam Medora, suas amigas e o prisioneiro para sua caverna de tesouros. No auge das celebrações, Conrado e Medora declaram seu amor e Ali jura fidelidade ao casal. Juntos, os três dançam o Le Corsaire Pas de Deux, outro número muito apresentado em galas, porém de forma reduzida: a segunda variação masculina não chega a ser utilizada.
Le Corsaire Pas de Deux - Versão Integral
The Kirov Ballet, 1989
É sempre um grande prazer pra mim estar aqui com vocês, dividindo com todos as curiosidades e histórias sobre o universo da dança e do ballet.
A postagem de hoje é um pedido mais que especial da Profª Tamara, e hoje nós vamos conversar um pouco sobre um ballet repertório chamado "O Corsário".
Cena "O Jardim Animado"
The Bolshoi Ballet
A história foi baseada no poema "O Corsário" de Lord Byron, foi originalmente coreografada por Joseph Mazilier com partitura de Adolphe Adam (o mesmo compositor de "Giselle") e foi apresentada pela primeira vez ao público em janeiro de 1856 pelo ballet da Ópera de Paris.
As montagens mais atuais são derivadas da versão criada por Marius Petipa para o Ballet Imperial de St. Petersburg, e que incluem músicas de outros compositores: Leo Delibes (responsável pelas obras Coppélia e Sylvia), Cesare Pugni (responsável pelas obras Esmeralda e A Filha do Faraó), Riccardo Drigo (responsável pelo remanejamento da partitura de "O Lago dos Cisnes" para a montagem de Petipa/Ivanov) e Prince Oldenbourg. Atualmente apenas três grandes companhias tem essa peça em seu repertório: Kirov/Mariinsky, que é utilizada como base para diversas remontagens, American Ballet Theatre, que incorporou bem mais a música original de Adolphe Adam, e a nova montagem do Bolshoi.
A História:
O ballet é contado em 3 atos, com prólogo e epílogo, e começa em alto mar, onde o navio de Conrado, líder dos corsários, enfrenta uma tempestade. Apesar dos esforços de sua tripulação, o navio acaba encalhando na costa de uma ilha grega. Conrado e seus homens, Birbanto e o escravo Ali, são encontrados na praia por um grupo de jovens, lideradas por Medora e sua melhor amiga Gulnara. Eles contam sobre suas aventuras e como foram parar naquele lugar, e durante o relato, Medora e Conrado imediatamente se apaixonam. Elas são surpreendidas por Lankedem, um mercador de escravos que as captura e as leva para serem vendidas por altos preços. Os corsários ficam a espreita e seguem seus passos para tentar resgatá-las.
Enquanto isso no mercado de escravos, um rico Paxá de nome Seid está a procura de belas mulheres para seu harém. Lankedem lhe mostra todas as mulheres que capturou em suas viagens, mas nenhuma lhe interessa, até o momento em que Gulnara é apresentada. Lankedem e Gulnara dançam o famoso número conhecido como "A Escrava e o Mercador", muito encenado em apresentações de gala.
Pas de Deux "A Escrava e o Mercador"
The Kirov Ballet, 1989
O Paxá fica encantado com Gulnara e oferece a Lankedem uma alta quantia por ela. Mas o grande trunfo do mercador havia sido guardado para o final: a bela Medora. Imediatamente o Paxá faz a sua oferta, mas logo em seguida um viajante desconhecido oferece uma soma mais alta e consegue ganhar a disputa pela jovem. O desconhecido se revela ser Conrado, e juntamente com seus homens causam um grande alvoroço! Eles predem Lankedem e o levam para seu navio, juntamente com Medora e suas amigas.
No segundo ato, Conrado e seus homens levam Medora, suas amigas e o prisioneiro para sua caverna de tesouros. No auge das celebrações, Conrado e Medora declaram seu amor e Ali jura fidelidade ao casal. Juntos, os três dançam o Le Corsaire Pas de Deux, outro número muito apresentado em galas, porém de forma reduzida: a segunda variação masculina não chega a ser utilizada.
Le Corsaire Pas de Deux - Versão Integral
The Kirov Ballet, 1989
Le Corsaire Pas de Deux - Versão Reduzida
The Bolshoi Ballet, 2012
Uma das jovens pede à Medora interceder para que todas sejam libertas. Conrado cumpre a sua promessa, causando revolta em Birbanto, que firma um acordo com Lankedem. Em troca de sua liberdade, ele lhe ensinaria a preparar uma poção, que quando espirrada em flores faz adormecer aquele que a cheirar.
Conrado e Medora entram em cena e ficam felizes com a chance de poderem finalmente estar a sós. Esta presenteia seu amado com um buquê de flores, dado a ela por Lankedem. Ao sentir o perfume, Conrado adormece, e Medora é novamente capturada por Lankedem e Birbanto. Ali aparece e desperta Conrado, para que juntos eles possam resgatar Medora.
O terceiro ato se passa no harém do Paxá Seid, nos confins da Turquia. O poderoso Paxá está festejando com Gulnara quando Lankedem aparece e trás consigo três odaliscas para entretê-los.
Pas de Tois das Odaliscas
American Ballet Theatre, 1999
Em seguida, o mercador traz o grande prêmio: Medora! Apesar de estar triste, ela se anima ao rever sua melhor amiga Gulnara. Elas, juntamente com as mulheres do harém, vão a um jardim repleto de flores e magnificas fontes, para celebrar a harmonia, beleza e a graça. Essa cena é conhecida como "O Jardim Animado".
Cena "O Jardim Animado"
The Kirov Ballet
O Paxá é alertado sobre a chegada de misteriosos peregrinos, o que coincide com a oração da tarde, conduzida pelo seu líder que na realidade é Conrado disfarçado. Sua identidade e a de seus homens é revelada e eles enfim conseguem resgatar Medora e Gulnara.
O ballet termina com a partida de Medora, Gulnara, Ali e Conrado, que vão em busca de novas aventuras.
Apesar da história ser a mesma, ela é contada de maneiras diferentes em cada cia, o que acaba alterando a ordem cronológica dos acontecimentos.
Espero que tenham gostado!
Um grande abraço a todos!!!
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Marius Petipa e o nascimento do Ballet Clássico - Parte II
Eis-me aqui com a segunda parte da matéria sobre o Ballet Clássico, desta vez mostrando a vocês uma pequena amostra da extensa galeria de trabalhos criados por Petipa. Com certeza ele foi um grande gênio, tanto que seu nome é associado às principais peças de repertório e muitas vezes, as pessoas acabam confundindo e o colocam como se ele fosse o único coreógrafo da época. É verdade sim que ele foi o principal, mas como diz o ditado popular: "Uma andorinha não faz verão sozinha"...
O Quebra-Nozes
Quando as pessoas lembram de grandes ballets como "O Quebra-Nozes", é natural que todo mundo atribua os créditos da coreografia a Marius Petipa. Porém, no caso dessa peça, as informações são bastante divergentes. Acredito que a teoria mais correta, segundo algumas pesquisas, é que Petipa tenha sido o responsável pela montagem do libreto, isso é, a ordem em que a história é contada no palco, e que a autoria da coreografia é de seu assistente Lev Ivanov. Apesar da música ter sido super elogiada e ter consagrado Tchaikovsky como o maior compositor romântico do século 19, a coreografia não fez tanto sucesso. Isso fez com que nos anos seguintes cada coreógrafo criasse a sua própria versão da obra, tornando-a muito conhecida como um clássico de Natal.
O Lago dos Cisnes
A peça foi composta originalmente entre 1875 e 1876 por Tchaikovsky, e teve sua estreia em 1877 com coreografia de Julius Reisinger. Entretanto, a primeira produção deixou muito a desejar, tanto na coreografia, como na interpretação dos bailarinos e da orquestra, e soma-se a isso a interferência da primeira-bailarina da estreia, que podia fazer o que bem quisesse com a partitura. Conclusão: a peça não foi bem sucedida!
Somente em 1895, dois anos após a morte do compositor, é que Petipa criou a versão que veio a se tornar a base das produções subsequentes. A coreografia foi criada em conjunto com seu assistente Lev Ivanov, e a extensa partitura de Tchaikovsky foi totalmente remanejada por Riccardo Drigo, que na época era o diretor musical do Teatro Mariinsky, onde ocorreu a estreia dessa montagem.
Sobre sua classificação, acredito que "O Lago dos Cisnes" pode também ser considerada uma peça romântica, pois a história contada, a música e a presença do Ato Branco são bem típicos desse período. Porém as características clássicas são muito marcantes, como o uso dos tutus clássicos e as complexas sequências coreográficas.
Somente em 1895, dois anos após a morte do compositor, é que Petipa criou a versão que veio a se tornar a base das produções subsequentes. A coreografia foi criada em conjunto com seu assistente Lev Ivanov, e a extensa partitura de Tchaikovsky foi totalmente remanejada por Riccardo Drigo, que na época era o diretor musical do Teatro Mariinsky, onde ocorreu a estreia dessa montagem.
Sobre sua classificação, acredito que "O Lago dos Cisnes" pode também ser considerada uma peça romântica, pois a história contada, a música e a presença do Ato Branco são bem típicos desse período. Porém as características clássicas são muito marcantes, como o uso dos tutus clássicos e as complexas sequências coreográficas.
Coda - 2º Ato
Coreografia: Rudolf Nureyev
Coreografia: Rudolf Nureyev
Com Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev
Ópera de Viena, 1966
A Bela Adormecida
Foi a segunda peça composta por Tchaikovsky, sendo esse seu maior êxito no campo dos ballets, e teve sua estreia no ano de 1890. A grande parceria entre Petipa e o compositor culminou em uma das peças mais famosas de todo o repertório clássico, que colocam como principal fio condutor da história o embate entre as forças do bem, representada pela Fada Lilás, e do mal, representada por Carabosse.
Porém, quando se fala em contos de fada, é muito comum as pessoas acharem que sempre existe alguma relação com as versões da Disney. No caso da Bela Adormecida, a trilha sonora da versão animada faz sim um belo resumo da obra de Tchaikovsky, mas apesar de a história ser a mesma, cada versão a conta de maneiras diferentes. No ballet, por exemplo, o número de fadas madrinhas é maior em relação à Disney: são 6 na montagem original de Petipa, mas dependendo da versão pode ter até 7 ou 8 fadas.
Porém, quando se fala em contos de fada, é muito comum as pessoas acharem que sempre existe alguma relação com as versões da Disney. No caso da Bela Adormecida, a trilha sonora da versão animada faz sim um belo resumo da obra de Tchaikovsky, mas apesar de a história ser a mesma, cada versão a conta de maneiras diferentes. No ballet, por exemplo, o número de fadas madrinhas é maior em relação à Disney: são 6 na montagem original de Petipa, mas dependendo da versão pode ter até 7 ou 8 fadas.
Entrada e Adágio das Fadas Madrinhas - Prólogo
Coreografia: Rudolf Nureyev
Ópera de Paris, 2000
O Quebra-Nozes
Quando as pessoas lembram de grandes ballets como "O Quebra-Nozes", é natural que todo mundo atribua os créditos da coreografia a Marius Petipa. Porém, no caso dessa peça, as informações são bastante divergentes. Acredito que a teoria mais correta, segundo algumas pesquisas, é que Petipa tenha sido o responsável pela montagem do libreto, isso é, a ordem em que a história é contada no palco, e que a autoria da coreografia é de seu assistente Lev Ivanov. Apesar da música ter sido super elogiada e ter consagrado Tchaikovsky como o maior compositor romântico do século 19, a coreografia não fez tanto sucesso. Isso fez com que nos anos seguintes cada coreógrafo criasse a sua própria versão da obra, tornando-a muito conhecida como um clássico de Natal.
Valsa das Flores - 2º Ato
Coreografia: Peter Wright
The Royal Ballet, 2009
Don Quixote
Várias foram as montagens que surgiram com base na obra de Cervantes, porém a que mais se popularizou e resiste até os dias de hoje foi a de Petipa, em parceria com o compositor Ludwig Minkus. A peça foi produzida em 4 atos e 8 cenas para sua primeira apresentação no Teatro Bolshoi de Moscou, em 1869 com grande sucesso. Dois anos depois, Petipa remontou a peça para o Ballet Imperial de St. Petersburg em uma versão ampliada com 5 atos e 11 cenas. As montagens atuais utilizam também partes coreografadas por Alexander Gorsky, que inseriu na obra músicas de outros autores, mas que sempre são creditadas a Minkus. É o caso da variação da Rainha das Dríades, composta originalmente por Anton Simon, e também duas variações de Kitri (da cena do Sonho e do Grand Pas de Deux final), ambas compostas por Riccardo Drigo.
O tema espanhol da peça permitiu que a história do fidalgo sonhador se entrelaçasse com o romance de Kitri e Basil, parte que tem maior ênfase na peça, colocando Don Quixote como um personagem secundário. Ainda assim, um dos capítulos mais importantes e conhecidos da obra de Cervantes tem presença marcada no ballet: a cena em que Don Quixote luta contra um moinho de vento, pensando ser um gigante.
Entrada de Kitri - 1º Ato
Com Tatyana Terekhova
The Kirov Ballet, 1988
Paquita
Eis aqui uma outra peça que causa bastante confusão no pessoal... Todo mundo costuma atribuir a autoria da música apenas a Ludwig Minkus, e da coreografia apenas a Petipa. Porém, Paquita é um ballet que tem suas origens no Romantismo, foi estreado em 1846 com coreografia original de Joseph Mazilier e música de Edouard Deldevez. Quando Marius remontou a peça na Russia no ano seguinte, ele adicionou novas coreografias com músicas compostas por Minkus: O Pas de Trois no primeiro ato, e a Mazurca das Crianças e o Grand Pas do Casamento de Paquita no segundo ato.
Só que durante o período revolucionário, era muito mais em conta para o governo russo produzir apresentações de gala do que repertórios completos. Em virtude disso, muitas peças acabaram se perdendo com o tempo, e Paquita, infelizmente, foi uma delas. Desse ballet restou apenas os números adicionais de Petipa/Minkus, que até hoje costumam ser remontados por várias companhias ao redor do mundo.
Graças as profundas pesquisas realizadas por Pierre Lacotte, que foi diretor artístico da Ópera de Paris, a versão original de Mazilier/Deldevez foi totalmente restaurada e unida as adições de Petipa/Minkus, sendo essa a única companhia que monta a versão completa da obra.
Variação de Paquita - 2º Ato
Versão Restaurada por Pierre Lacotte
Ópera de Paris, 2003
La Bayadère
A mística e exótica Índia serviu de inspiração para a criação do libreto de La Bayadère, que leva à cena vários aspectos dessa cultura milenar, muitas delas mostradas na novela "Caminho das Índias", como o Sistema de Castas, os casamentos arranjados, a crença no Fogo Sagrado como entidade espiritual suprema das tradições indianas e na chamada "Roda das Encarnações". A peça foi estreada em 1877 com partitura do compositor Ludwig Minkus, e foi um sucesso estrondoso!
Mas ainda assim, La Bayadère foi um dos muitos alvos da época revolucionária, e por muito tempo o 3º ato original, com a cena do casamento de Gamzatti, a destruição do templo e o reencontro de Solor e Nikiya do outro lado da vida, ficaram completamente perdidos. Por conta disso, muitas produções, como a do Kirov e da Ópera de Paris, terminam na cena do "Reino das Sombras".
Em 1980, a bailarina e coreógrafa Natalia Makarova criou uma nova coreografia para "La Bayadère" que reconstrói as cenas do 3º ato, sendo essa considerada uma das montagens mais importantes da atualidade.
Em 1980, a bailarina e coreógrafa Natalia Makarova criou uma nova coreografia para "La Bayadère" que reconstrói as cenas do 3º ato, sendo essa considerada uma das montagens mais importantes da atualidade.
Grand Pas de Deux de Solor e Gamzatti - 1º Ato
Coreografia: Natalia Makarova
The Royal Ballet, 2009
Raymonda
Após o grande sucesso de La Bayadère, Raymonda foi criada com o intuito de mesclar as culturas medieval e oriental. Por isso, decidiram ambientar a peça em meio à 5ª Cruzada, chefiada pelo rei André II da Hungria entre os anos de 1217 à 1221, onde uma mulher fosse amada por dois homens e o choques de culturas pudesse ser explorado ao máximo. Ao som da bela música de Aleksandr Glazunov, o libreto escrito por Lydia Pashkova não possui grandes emoções, e por isso mesmo não foi bem aceito por Petipa de início. Ainda assim, ele teve que trabalhar em cima do projeto original, criando belas sequências coreográficas, sendo uma das mais difíceis a variação de Raymonda do 3º ato.
Variação de Raymonda - 3º Ato
Versão Restaurada por Sergei Vikharev
Teatro Alla Scala, 2011
É claro que esses foram apenas alguns dos trabalhos mais importantes de Petipa, e que até hoje tem presença marcada em diversas companhias o redor do mundo...
Agora sim podemos seguir tranquilamente para o início do século XX, onde na próxima matéria sobre a história do ballet falaremos mais sobre o Ballet Russe de Sergei Dhiaghileff, que causou uma verdadeira revolução no campo das artes em geral, não somente da dança^^
Até a próxima pessoal!!!
sexta-feira, 23 de março de 2012
Marius Petipa e o nascimento do Ballet Clássico - Parte I
A palavra "Clássico" possui vários significados, e como já foi comentado pelo Maestro Galindo, ela causa muita confusão quando usada para definir alguma coisa relacionada ao campo das artes, seja ela qual for.
De acordo com o Dicionário Michaelis, uma das definições que pode ser atribuída a esse termo é:
"Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de imitação". Clássico aqui pode se referir a toda e qualquer obra ou autor que é considerada imortal, e portanto, uma fonte de inspiração para os artistas de hoje.
Porém esse termo também é derivado da palavra "Classicismo", que se refere a um movimento artístico que valoriza a cultura greco-romana. Mas ao contrário da Literatura, o Classicismo na dança vem logo após o Romantismo, durante um período de intrigas entre o Ballet Russo e o Ballet Italiano, que nesse momento disputavam o título de melhor técnica do mundo.
As peças apresentadas nesse período tem como característica principal a presença de sequências coreográficas bastante complicadas, a fim de extrair ao máximo as habilidades técnicas dos bailarinos. Foi nessa época que surgiram os famosos 32 fouettés no 3º Ato de "O Lago dos Cisnes" - de Tchaikovsky, que mais tarde se tornaram populares em outras peças.
De acordo com o Dicionário Michaelis, uma das definições que pode ser atribuída a esse termo é:
"Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de imitação". Clássico aqui pode se referir a toda e qualquer obra ou autor que é considerada imortal, e portanto, uma fonte de inspiração para os artistas de hoje.
Porém esse termo também é derivado da palavra "Classicismo", que se refere a um movimento artístico que valoriza a cultura greco-romana. Mas ao contrário da Literatura, o Classicismo na dança vem logo após o Romantismo, durante um período de intrigas entre o Ballet Russo e o Ballet Italiano, que nesse momento disputavam o título de melhor técnica do mundo.
As peças apresentadas nesse período tem como característica principal a presença de sequências coreográficas bastante complicadas, a fim de extrair ao máximo as habilidades técnicas dos bailarinos. Foi nessa época que surgiram os famosos 32 fouettés no 3º Ato de "O Lago dos Cisnes" - de Tchaikovsky, que mais tarde se tornaram populares em outras peças.
Pas de Deux do Cisne Negro - Coda
Versão Coreográfica de Marius Petipa
Com Natalia Makarova e Anthony Dowell
The Royal Ballet, 1980
Pas de Deux do Cisne Negro - Completo
Versão Coreográfica de Vladimir Bourmeister
Com Svetlana Zakharova e Roberto Bolle
Teatro Alla Scala, 2004
Os principais temas abordados nas peças fazem jus a escola literária, onde nas histórias aparecem personagens da realeza, deuses e figuras míticas, tornando os ballets dessa época verdadeiros contos de fada. É desse período também a invenção do tutu clássico, com saias curtas a fim de dar maior liberdade aos movimentos, que podem ou não ter uma armação de arame como sustentação.
Marianela Nuñez como Fada Lilás
A Bela Adormecida (The Royal Ballet, 2006)
E é claro que quando falamos em Ballet Clássico, o primeiro nome que vem a nossa cabeça é do coreógrafo francês Marius Petipa. Como eu já havia comentado no final da matéria sobre o Ballet Romântico, Petipa pretendia apenas uma rápida estada na Rússia, porém acabou se tornando o principal coreógrafo do país e permaneceu lá por toda sua vida.
Petipa foi o responsável pela remontagem de grandes pérolas do Ballet Romântico na Rússia, e também se destacou na criação de diversas peças, em conjunto com os melhores artistas de sua época. Entre os principais estão os compositores Tchaikovsky, Ludwig Minkus e Aleksandr Glazunov, e também o coreógrafo Lev Ivanov, que veio a se tornar seu assistente.
Na segunda parte desta matéria, falaremos sobre as principais peças criadas por Petipa nesse período tão rico e tão importante da história da dança.
Um grande abraço a todos!!!
quinta-feira, 1 de março de 2012
O Ballet Romântico
Com certeza esse é um dos capítulos mais importantes da história da dança, pois é desse momento que herdamos os principais ballets de repertório que conhecemos hoje, e também o nosso instrumento de trabalho: as sapatilhas de ponta.
O Romantismo na dança segue a mesma linha do literário, com histórias onde há o predomínio da emoção, geralmente sobre a mulher idealiazada e amores impossíveis, e também a presença de seres sobrenaturais como fadas, elfos, sílfides e espíritos.
A peça que inaugurou esse movimento e é considerada um marco na história da dança foi "A Sílfide", apresentada pela primeira vez no ano de 1832. Com coreografia original de Filippo Taglioni e música de Jean Schneitzhöeffer, a peça tem como característica principal o uso das sapatilhas de ponta, uma inovação que culminou na evolução do ensino e prática do ballet, colocando a mulher no foco das atenções. Neste momento, o homem assume o papel de partner, dando apoio aos movimentos das grandes estrelas.
Outras invenções que vem dessa época são os tutus românticos, saias com várias camadas de tule, geralmente na altura da panturrilha, dando maior leveza e suavidade aos movimentos da bailarina, e também o surgimento do "Ato Branco", um ato inteiro onde todas as bailarinas do corpo de baile usam tutus brancos e sapatilhas de ponta. Essa receita deu tão certo que outros autores se utilizaram desse mesmo recurso. Surge assim "Giselle", que consagrou a bailarina Carlota Grisi em 1841. Com certeza uma das peças mais encenadas desde a sua estréia, sendo considerada um grande desafio mesmo para as bailarinas mais experientes.
Seguindo essa mesma linha dos ballet cômicos, surge em 1870 Coppélia. Com suas raízes no Ballet Romântico, essa peça criou uma base para o Ballet Clássico que ainda estava por vir. Baseado no livro Der Sandmann, de E. T. A. Hoffman, o ballet conta a história de um divertido triângulo amoroso, formado por Swanilda, seu noivo Franz, e Coppélia, uma boneca mecânica criada pelo Dr. Coppélius, e tão perfeita que parece uma pessoa de verdade! Além do enredo engraçado e com um final feliz, a peça inovou ao levar a cena danças folclóricas, como a Mazurka, dança típica da Polônia, e a Csardas, uma dança típica da Hungria.
Mas o período Romântico teve grande importância mesmo na Rússia, que graças ao patrocínio do Czar, se tornou o grande centro mundial da dança, com destaque para as companhias Kirov/Mariinsky (em St. Petersburg) e Bolshoi (em Moscou).
Um grande nome a ser lembrado é do coreógrafo francês Marius Petipa. Ele foi a St. Petersburg em 1847, à passeio, e se tornou o principal coreógrafo do país, o que acabou fazendo com que ele permanecesse lá para sempre.
Na próxima matéria falaremos mais a fundo sobre a importância desse coreógrafo para a história da dança, e também sobre o surgimento do período Clássico.
Um Grande Abraço a todos!!!!
O Romantismo na dança segue a mesma linha do literário, com histórias onde há o predomínio da emoção, geralmente sobre a mulher idealiazada e amores impossíveis, e também a presença de seres sobrenaturais como fadas, elfos, sílfides e espíritos.
A peça que inaugurou esse movimento e é considerada um marco na história da dança foi "A Sílfide", apresentada pela primeira vez no ano de 1832. Com coreografia original de Filippo Taglioni e música de Jean Schneitzhöeffer, a peça tem como característica principal o uso das sapatilhas de ponta, uma inovação que culminou na evolução do ensino e prática do ballet, colocando a mulher no foco das atenções. Neste momento, o homem assume o papel de partner, dando apoio aos movimentos das grandes estrelas.
A Sílfide (Ópera de Paris, 2004)
Com Aurélie Dupont e Mathieu Ganio
Outras invenções que vem dessa época são os tutus românticos, saias com várias camadas de tule, geralmente na altura da panturrilha, dando maior leveza e suavidade aos movimentos da bailarina, e também o surgimento do "Ato Branco", um ato inteiro onde todas as bailarinas do corpo de baile usam tutus brancos e sapatilhas de ponta. Essa receita deu tão certo que outros autores se utilizaram desse mesmo recurso. Surge assim "Giselle", que consagrou a bailarina Carlota Grisi em 1841. Com certeza uma das peças mais encenadas desde a sua estréia, sendo considerada um grande desafio mesmo para as bailarinas mais experientes.
Giselle (Teatro Alla Scala, 1996)
Com Alessandra Ferri e Massimo Murru
Mas não foram somente as histórias trágicas que fizeram fama nessa época. La Fille Mal Gardée nasceu em 1789, em meio à Revolução Francesa e é o ballet mais antigo conhecido. Inicialmente, a peça não tinha uma partitura definida, era uma verdadeira "colcha de retalhos", com trechos de diversas árias de óperas e canções populares, que acredita-se terem sido reunidas por Jean Dauberval, que além de coreógrafo também era um violinista competente. Seu enredo vai na contramão da maior parte das peças produzidas na época: ao invés de contar uma história trágica com a presença de espíritos e seres etéreos, La Fille Mal Gardée se passa no interior da França e mostra uma divertida história de amor entre dois camponeses, relacionamento esse que a mãe da moça não aprova, pois ela quer que a filha se case com o filho excêntrico de um rico fazendeiro. Foi justamente essa inovação que fez de "La Fille" um grande sucesso.
Nos dias de hoje, a versão mais conhecida tem partitura de Ferdinand Hérold, criada em 1828, mais tarde rearranjada por John Lanchbery para a coreografia de Frederick Ashton, criada em 1960.
Nos dias de hoje, a versão mais conhecida tem partitura de Ferdinand Hérold, criada em 1828, mais tarde rearranjada por John Lanchbery para a coreografia de Frederick Ashton, criada em 1960.
La Fille Mal Gardée
Com Fiona Tonkin (The Australian Ballet, 1989) e
Marianela Nuñez (The Royal Ballet, 2005)
Seguindo essa mesma linha dos ballet cômicos, surge em 1870 Coppélia. Com suas raízes no Ballet Romântico, essa peça criou uma base para o Ballet Clássico que ainda estava por vir. Baseado no livro Der Sandmann, de E. T. A. Hoffman, o ballet conta a história de um divertido triângulo amoroso, formado por Swanilda, seu noivo Franz, e Coppélia, uma boneca mecânica criada pelo Dr. Coppélius, e tão perfeita que parece uma pessoa de verdade! Além do enredo engraçado e com um final feliz, a peça inovou ao levar a cena danças folclóricas, como a Mazurka, dança típica da Polônia, e a Csardas, uma dança típica da Hungria.
Coppélia (The Bolshoi Ballet, 2011)
Com Natalia Osipova e Vyacheslav Lopatin
Mas o período Romântico teve grande importância mesmo na Rússia, que graças ao patrocínio do Czar, se tornou o grande centro mundial da dança, com destaque para as companhias Kirov/Mariinsky (em St. Petersburg) e Bolshoi (em Moscou).
Um grande nome a ser lembrado é do coreógrafo francês Marius Petipa. Ele foi a St. Petersburg em 1847, à passeio, e se tornou o principal coreógrafo do país, o que acabou fazendo com que ele permanecesse lá para sempre.
Na próxima matéria falaremos mais a fundo sobre a importância desse coreógrafo para a história da dança, e também sobre o surgimento do período Clássico.
Um Grande Abraço a todos!!!!
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Alguns Esclarecimentos...
Queridos amigos, no último domingo (26/02/2012) eu havia publicado uma matéria sobre o ballet romântico, e essa postagem gerou o primeiro comentário em nosso blog. A pessoa em questão foi muito simpática em suas colocações, e a mesma me apontou alguns fatos que eu realmente deixei passar... Peço desculpas a todos!!!
Para compor essa série de postagens estou me baseando em matérias da versão em inglês do site Wikipédia e também em uma matéria publicada no blog da Luiza Bandeira. O fato é que a matéria em questão deixa passar um outro momento importante da história da dança: O Ballet Clássico! E ainda nessa confusão, fui questionada sobre o porque de ter mencionado "A Bela Adormecida" como um ballet romântico.
Quem me conhece, sabe que sou apaixonada pela obra de Tchaikovsky, e ele é de fato um compositor romântico, o maior do século XIX. Porém foram justamente essas terminologias (Clássico, Romântico...) que me deixaram na dúvida... Por isso, resolvi escrever uma mensagem ao Maestro João Maurício Galindo, que tem um programa na Rádio Cultura FM de São Paulo chamado "Pergunte ao Maestro", onde ele responde qualquer dúvida relacionada a música de Concerto. Eu perguntei o seguinte:
Maestro,
Gostaria que o senhor me esclarecesse uma dúvida... Amo as peças de Tchaikovsky, em especial suas composições para ballet, que o tornaram o maior compositor romântico do século 19, segundo algumas pesquisas que fiz. Ontem (domingo) fiz uma postagem no blog da escola de ballet que faço aula falando sobre o ballet romântico, e recebi um comentário muito "simpático" de alguém que questiona o fato de eu ter citado "A Bela Adormecida" como sendo um ballet romântico. E ao comentar com uma amiga que é bailarina profissional, ela me disse que essa peça é o ponto alto do Ballet Clássico... Afinal de contas, "A Bela Adormecida" é um ballet Romântico ou Clássico???
E muito gentilmente, o Maestro me respondeu o seguinte:
Cara Juliana,
Em primeiro lugar, essas definições "música clássica", "música romântica", "música barroca", "balé clássico", "balé moderno", muitas vezes mais confundem do que ajudam.... Sabe, no fundo, seria melhor que elas não existissem, porque evitariam confusões como essa que você descreve.
Deixe-me então tentar esclarecer um pouco as coisas pra você.
Tchaikovsky era um compositor romântico. Não há a menor dúvida quanto a isso. Mas o tipo de balé que se fazia na época dele é conhecido HOJE por balé clássico. O balé é clássico, mas a música é romântica. Não é um contrasenso? Mas infelizmente é assim, essa terminologia usada nas artes não é nada precisa.
Quer ver a confusão aumentar? Olhe só: se alguém disser que Tchaikovsky é um compositor clássico, no sentido de que ele não é um compositor de música popular, também estaria certo....
Por isso, eu lhe recomendo não se preocupar com o comentário que leu no Blog, pois a música e a dança são atividades maravilhosas que enriquecem a alma e vão nos acompanhar por toda a vida!
É isso!
Um grande abraço do
Maestro Galindo
Bom, essa resposta esclareceu todas as minhas dúvidas, e começo a entender melhor algumas coisas...
Meu intuito é pesquisar e publicar informações do modo mais correto possível, e que sejam úteis a todos que estudam e/ou se interessam por dança, afinal os materiais relativos a essa arte são muito escassos.
Agradeço muito a você, que nos deixou o comentário em questão, por compartilhar seus conhecimentos conosco. Guardei a referida postagem nos rascunhos e assim que possível, farei as devidas correções.
E agora voltamos a programação normal...
Para compor essa série de postagens estou me baseando em matérias da versão em inglês do site Wikipédia e também em uma matéria publicada no blog da Luiza Bandeira. O fato é que a matéria em questão deixa passar um outro momento importante da história da dança: O Ballet Clássico! E ainda nessa confusão, fui questionada sobre o porque de ter mencionado "A Bela Adormecida" como um ballet romântico.
Quem me conhece, sabe que sou apaixonada pela obra de Tchaikovsky, e ele é de fato um compositor romântico, o maior do século XIX. Porém foram justamente essas terminologias (Clássico, Romântico...) que me deixaram na dúvida... Por isso, resolvi escrever uma mensagem ao Maestro João Maurício Galindo, que tem um programa na Rádio Cultura FM de São Paulo chamado "Pergunte ao Maestro", onde ele responde qualquer dúvida relacionada a música de Concerto. Eu perguntei o seguinte:
Maestro,
Gostaria que o senhor me esclarecesse uma dúvida... Amo as peças de Tchaikovsky, em especial suas composições para ballet, que o tornaram o maior compositor romântico do século 19, segundo algumas pesquisas que fiz. Ontem (domingo) fiz uma postagem no blog da escola de ballet que faço aula falando sobre o ballet romântico, e recebi um comentário muito "simpático" de alguém que questiona o fato de eu ter citado "A Bela Adormecida" como sendo um ballet romântico. E ao comentar com uma amiga que é bailarina profissional, ela me disse que essa peça é o ponto alto do Ballet Clássico... Afinal de contas, "A Bela Adormecida" é um ballet Romântico ou Clássico???
E muito gentilmente, o Maestro me respondeu o seguinte:
Cara Juliana,
Em primeiro lugar, essas definições "música clássica", "música romântica", "música barroca", "balé clássico", "balé moderno", muitas vezes mais confundem do que ajudam.... Sabe, no fundo, seria melhor que elas não existissem, porque evitariam confusões como essa que você descreve.
Deixe-me então tentar esclarecer um pouco as coisas pra você.
Tchaikovsky era um compositor romântico. Não há a menor dúvida quanto a isso. Mas o tipo de balé que se fazia na época dele é conhecido HOJE por balé clássico. O balé é clássico, mas a música é romântica. Não é um contrasenso? Mas infelizmente é assim, essa terminologia usada nas artes não é nada precisa.
Quer ver a confusão aumentar? Olhe só: se alguém disser que Tchaikovsky é um compositor clássico, no sentido de que ele não é um compositor de música popular, também estaria certo....
Por isso, eu lhe recomendo não se preocupar com o comentário que leu no Blog, pois a música e a dança são atividades maravilhosas que enriquecem a alma e vão nos acompanhar por toda a vida!
É isso!
Um grande abraço do
Maestro Galindo
Bom, essa resposta esclareceu todas as minhas dúvidas, e começo a entender melhor algumas coisas...
Meu intuito é pesquisar e publicar informações do modo mais correto possível, e que sejam úteis a todos que estudam e/ou se interessam por dança, afinal os materiais relativos a essa arte são muito escassos.
Agradeço muito a você, que nos deixou o comentário em questão, por compartilhar seus conhecimentos conosco. Guardei a referida postagem nos rascunhos e assim que possível, farei as devidas correções.
E agora voltamos a programação normal...
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Um pouco mais sobre o ballet...
Oi pessoal, td bem com vcs???
Quando a italiana Catarina de Medicis se casou com o rei Henrique II e se tornou rainha da França,
esse tipo de espetáculo foi introduzido na corte francesa com grande sucesso, sendo "O Ballet Cômico da Rainha" o mais famoso dessa época, apresentado em 1581 para celebrar o casamento da irmã de Catarina.
Mas foi 100 anos mais tarde, no reinado de Luis XIV que o ballet atingiu seu auge.
Eis aí um fato que os livros de História tradicionais não contam... Esse rei foi um grande amante da dança, sendo ele um exímio bailarino. Ele dançou pela primeira vez no ballet da corte com 12 anos de idade, sempre interpretando figuras importantes, fundou a Ópera de Paris em 1661, e seu título de "Rei Sol" vem de uma apresentação que ele participou e durou mais de 12 horas!!!
O professor Pierre Beauchamp foi o criador das cinco posições dos pés, que se tornaram a base de todo aprendizado acadêmico do Ballet Clássico. A dança se tornou mais que um passatempo da corte, se tornou uma profissão e os espetáculos de ballet foram transferidos dos salões reais para os teatros.
No começo, todos os bailarinos eram homens, que também faziam os papéis femininos. Quem diria que em algum momento da história os homens é que levavam a fama no ballet, hein??? E ainda hoje, em pleno século 21, existe o preconceito de que todo homem que faz ballet é gay. Infelizmente os leigos generalizam muito, mas quem faz dança sabe que não é assim... Talvez essa teoria (meio antiquada, na minha opinião) vem justamente desse fato dos homens que interpretavam papéis femininos. Apesar de estranho, era muito comum, não só no ballet como também no teatro. Isso pode muito bem ser observado em filmes como "Sonho de uma Noite de Verão", com Kevin Kline e Michelle Pfeiffer, e "Shakespeare Apaixonado", com Joseph Fiennes e Gwyneth Paltrow, onde em ambos podemos ver grupos de atores formados apenas por homens, que interpretam todo tipo de papel.
Somente no fim do século XVII, a Escola de Dança passou a formar bailarinas mulheres, que ganharam logo importância, apesar de terem seus movimentos ainda limitados pelos complicados figurinos. É aí que entra em cena a bailarina Marie Camargo, que encurtou as saias pela primeira vez na altura dos joelhos, causando grande sensação em Paris.
Com o desenvolvimento da técnica da dança e dos espetáculos profissionais, houve necessidade do ballet encontrar, por ele próprio, uma forma expressiva e verdadeira, afim dar um significado aos movimento da dança.
Assim no final do século XVIII, um movimento liderado por Jean-Georges Noverre inaugurou o "Ballet de Ação", isto é, a dança passou a ter uma narrativa, que apresenta um enredo e personagens reais, modificando totalmente a forma do Ballet de até então.
Essa história não acaba aqui não, ainda temos muuuuuuuuuuuito chão pela frente... Mas a continuação vai ficar pra próxima postagem, onde vamos entrar num dos períodos mais importantes da História da Dança: o Romantismo!!!!
Curiosos??? Então aguardem que muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte...
Vou ficando por aqui...
Até a próxima pessoal!!!!
Hj estou começando uma série de matérias para falarmos um pouco mais sobre essa arte fantástica que é dança. Eu não sei de vcs, mas eu, particularmente, pesquiso MUITO sobre dança, principalmente o ballet, que é minha paixão... E posso afirmar, quanto mais eu conheço mas eu me interesso por essa arte! Minha mãe mesmo costuma dizer: Vc não gosta só de uma peça, vc gosta de TODAS!!! kkkkkkkkk Todas as que conheço, pelo menos, e podem ter certeza que tenho muito o que compartilhar com vcs...
Mas antes, me respondam uma coisa: Vc aí, que faz aula de ballet, já parou pra pensar quando essa história de Ballet Clássico começou??? Bom, eu já!!! kkkkkkk
Tudo começou por volta do ano de 1400, lá na Itália. Nessa época os nobres italianos divertiam seus ilustres visitantes com espetáculos de poesia, música, mímica e dança. Esses divertimentos apresentados pelos cortesãos eram famosos por seus ricos trajes e cenários muitas vezes desenhados por artistas célebres, como Leonardo da Vinci.
O primeiro ballet registrado aconteceu em 1489, comemorando o casamento do Duque de Milão com Isabel de Árgon. Os ballets da corte possuíam graciosos movimentos de cabeça, braços e tronco, e pequenos e delicados movimentos de pernas e pés, estes dificultados pelo vestuário feito com material e ornamentos muito pesados. Era importante que os membros da corte tivessem um bom conhecimento do assunto, por isso, surgiram os professores de dança que viajavam por vários lugares ensinando danças para todas as ocasiões: casamento, vitórias em guerra, alianças políticas, etc.Tudo começou por volta do ano de 1400, lá na Itália. Nessa época os nobres italianos divertiam seus ilustres visitantes com espetáculos de poesia, música, mímica e dança. Esses divertimentos apresentados pelos cortesãos eram famosos por seus ricos trajes e cenários muitas vezes desenhados por artistas célebres, como Leonardo da Vinci.
Quando a italiana Catarina de Medicis se casou com o rei Henrique II e se tornou rainha da França,
esse tipo de espetáculo foi introduzido na corte francesa com grande sucesso, sendo "O Ballet Cômico da Rainha" o mais famoso dessa época, apresentado em 1581 para celebrar o casamento da irmã de Catarina.
Mas foi 100 anos mais tarde, no reinado de Luis XIV que o ballet atingiu seu auge.
Eis aí um fato que os livros de História tradicionais não contam... Esse rei foi um grande amante da dança, sendo ele um exímio bailarino. Ele dançou pela primeira vez no ballet da corte com 12 anos de idade, sempre interpretando figuras importantes, fundou a Ópera de Paris em 1661, e seu título de "Rei Sol" vem de uma apresentação que ele participou e durou mais de 12 horas!!!
O professor Pierre Beauchamp foi o criador das cinco posições dos pés, que se tornaram a base de todo aprendizado acadêmico do Ballet Clássico. A dança se tornou mais que um passatempo da corte, se tornou uma profissão e os espetáculos de ballet foram transferidos dos salões reais para os teatros.
No começo, todos os bailarinos eram homens, que também faziam os papéis femininos. Quem diria que em algum momento da história os homens é que levavam a fama no ballet, hein??? E ainda hoje, em pleno século 21, existe o preconceito de que todo homem que faz ballet é gay. Infelizmente os leigos generalizam muito, mas quem faz dança sabe que não é assim... Talvez essa teoria (meio antiquada, na minha opinião) vem justamente desse fato dos homens que interpretavam papéis femininos. Apesar de estranho, era muito comum, não só no ballet como também no teatro. Isso pode muito bem ser observado em filmes como "Sonho de uma Noite de Verão", com Kevin Kline e Michelle Pfeiffer, e "Shakespeare Apaixonado", com Joseph Fiennes e Gwyneth Paltrow, onde em ambos podemos ver grupos de atores formados apenas por homens, que interpretam todo tipo de papel.
Somente no fim do século XVII, a Escola de Dança passou a formar bailarinas mulheres, que ganharam logo importância, apesar de terem seus movimentos ainda limitados pelos complicados figurinos. É aí que entra em cena a bailarina Marie Camargo, que encurtou as saias pela primeira vez na altura dos joelhos, causando grande sensação em Paris.
Com o desenvolvimento da técnica da dança e dos espetáculos profissionais, houve necessidade do ballet encontrar, por ele próprio, uma forma expressiva e verdadeira, afim dar um significado aos movimento da dança.
Assim no final do século XVIII, um movimento liderado por Jean-Georges Noverre inaugurou o "Ballet de Ação", isto é, a dança passou a ter uma narrativa, que apresenta um enredo e personagens reais, modificando totalmente a forma do Ballet de até então.
Essa história não acaba aqui não, ainda temos muuuuuuuuuuuito chão pela frente... Mas a continuação vai ficar pra próxima postagem, onde vamos entrar num dos períodos mais importantes da História da Dança: o Romantismo!!!!
Curiosos??? Então aguardem que muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte...
Vou ficando por aqui...
Até a próxima pessoal!!!!
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